5 educadoras brasileiras que entraram para a história

A educação é uma das ferramentas mais poderosas para transformar vidas e sociedades. Mas, ao longo da história, ela nem sempre foi um direito acessível a todos — especialmente para grupos minoritários, como mulheres, pessoas negras e indígenas.

No Dia Internacional da Mulher, celebramos a trajetória de cinco educadoras brasileiras que desafiaram barreiras, abriram caminhos e mudaram a forma como o conhecimento é compartilhado no Brasil. Elas não apenas ensinaram, mas também lutaram para que mais pessoas tivessem acesso à educação de qualidade.

1. Nísia Floresta (1810–1885) 

Muito antes do feminismo ganhar força no Brasil, Nísia Floresta já desafiava os padrões da época. Em um período em que as mulheres eram restritas aos afazeres domésticos, ela abriu, em 1838, uma escola para meninas onde ensinava disciplinas como matemática e ciências — algo revolucionário para o século XIX.

Além de educadora, Nísia foi uma escritora influente, defendendo em seus textos os direitos das mulheres, dos indígenas e das pessoas escravizadas. Seu legado se tornou tão marcante que sua cidade natal, no Rio Grande do Norte, hoje leva seu nome.

2. Anália Franco (1853–1919) 

Anália Franco acreditava que a verdadeira caridade não era apenas acolher os desprotegidos, mas, sim, capacitá-los para que pudessem conquistar sua independência. Com essa visão, fundou dezenas de escolas e orfanatos em São Paulo, atendendo principalmente crianças órfãs e mulheres em situação de vulnerabilidade.

Seu compromisso com a educação ia além das salas de aula. Anália incentivava o ensino de artes e fundou a primeira banda musical feminina do Brasil. Seu legado inclui também tratados sobre a infância, que serviram como guias para mulheres que educavam suas filhas em casa.

3. Antonieta de Barros (1901–1952) 

Antonieta de Barros foi uma mulher de muitas primeiras vezes: tornou-se a primeira deputada negra do Brasil em 1934, foi pioneira na luta contra o analfabetismo e foi autora da lei que oficializou o Dia do Professor em 15 de outubro.

Nascida em Santa Catarina, Antonieta enfrentou grandes desafios para se formar professora e, ao alcançar esse objetivo, dedicou-se a tornar a educação acessível para pessoas de baixa renda. Criou cursos gratuitos para alfabetização de trabalhadores e usou sua voz no jornalismo para denunciar desigualdades raciais e de gênero.

Sua trajetória mostra que a educação é um caminho para a transformação social e um instrumento essencial para o combate de injustiças.

4. Dorina Nowill (1919–2010) 

Dorina Nowill perdeu a visão aos 17 anos, mas isso nunca a impediu de perseguir seus sonhos. Em 1975, tornou-se a primeira professora cega do Brasil e dedicou sua vida à inclusão educacional das pessoas com deficiência visual.

Ela fundou a primeira imprensa braille do Brasil, que permitiu a impressão de livros didáticos acessíveis a estudantes cegos. Sua luta também foi institucional: entre 1961 e 1973, dirigiu a Campanha Nacional de Educação de Cegos no Ministério da Educação, garantindo que serviços de ensino inclusivos fossem implementados em todo o país.

Seu trabalho abriu portas para que milhares de pessoas com deficiência visual tivessem acesso ao conhecimento e à autonomia.

Foto da capa: Fundação Dorina Nowill

5. Itamirim 

A preservação da cultura indígena também passa pela educação, e Itamirim é uma das grandes responsáveis por essa missão. Professora e líder indígena, ela fundou a aldeia Tabaçu Reko Ypy, em Peruíbe (SP), onde ensina a língua tupi-guarani e promove a valorização das tradições de seu povo.

Para Itamirim, a educação vai além do conteúdo acadêmico: ela deve ser um espaço de pertencimento e resistência. Sua luta é para que os povos indígenas tenham acesso ao ensino sem precisar abandonar sua identidade e cultura.

A trajetória dessas mulheres prova que a educação é um dos pilares mais importantes para a transformação social. Graças ao trabalho delas, hoje temos um sistema de ensino mais acessível e inclusivo — mas ainda há muito a ser feito.

Neste Dia Internacional da Mulher, celebramos o legado dessas educadoras e de todas as mulheres que, dentro e fora da sala de aula, continuam lutando por um futuro melhor. 

Foto da capa: Revista Nove/Odjair Baena